quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO












III – Uma das finalidades desse estudo é firmar e confirmar o princípio fundamental – landmark, rule, old charge, norma ou diretriz sejam como quiserem denomina-lo – talvez único em que não há divergência no seio da maçonaria autentica e tradicional: a fé num Deus pessoal, Principio E Fim de todas as coisas, Criador do céu e da terra. E, em conseqüência, ajudar a fazer com que seus aderentes tomem disto mais consciência e evitem usar a expressão G.A.D.U apenas como uma etiqueta, sem nenhum conteúdo e que se pode facilmente, esvaziar. Para isto fazer com que este G.A.D.U seja, para cada um deles e de nós, um DEUS VIVO e não um DEUS MORTO.

Que este perigo existe, e existe na atualidade, não há dúvida. Se não, a Conferencia Episcopal Alemã, depois de “conversações oficiais, durante os anos de 1974 a 1980, por incumbência da mesma e das GrandeLojas Unidas da Alemanha, não teria chegado a seguinte conclusão.

“IV-4 – O conceito de Deus dos maçons livres. No centro dos rituais se acha o conceito do “Grande Arquiteto do Universo”. Não obstante a boa vontade de abertura para abraçar toda a religião, trata-se de um conceito marcadamente deísta. Em tal contexto, não há nenhum conhecimento objetivo de Deus, no sentido do conceito pessoal de Deus do teísmo. O "Grande Arquiteto do Universo"   é um “Ser” neutro, não definido e aberto a toda a compreensão possível...”(c.f.”Maçonaria e Igreja Católica, Ontem, Hoje e Amanha. Ed. Paulinas, 1981, pg .281).

E eis o motivo pelo qual insisti em deixar bem claro os conceitos de TEÍSMO e DEÍSMO e demonstrar que as diferentes alterações das Constituições de Anderson e as diversas declarações das  Grandes Lojas Mães da Inglaterra, Escócia e Irlanda, não deixam dúvida alguma quanto a este conceito, Teísta e não Deísta. É claro que, para se entender isto, é preciso com muito vagar e tempo refletir em toda esta documentação, para ter idéias claras e precisas quanto a estes conceitos.

Também estou convencido de que as  Grandes Lojas Unidas da Inglaterra da Irlanda e da Escócia, firmando invariável e ininterruptamente, o verdadeiro conceito de G.A.D.U na Ordem, e não estão dogmatizando ou estão sendo menos liberais, no sentido empregado pelo Grande Oriente de França.

Apenas defendendo um landmark ou rule, ou ainda old charge – fundamental delas. E muito menos ainda estão querendo defender uma determinada religião, o que seria contra o espírito e toda a letra das Constituições Andersoneanas, mas a religião Natural, que se baseia na Teologia Natural(ou Teologia Fundamental, ou ainda , Teologia Filosófica), que é a TEODICÉIA, uma das disciplinas ensinadas pela verdadeira Filosofia, desde os tempos dos filósofos gregos de muito antes de Cristo, sobretudo por Platão e seu genial discípulo Aristóteles, Filosofia, esta que, penso, os maçons se vêem impelidos a estudar, já que sua instituição é eminentemente FILOSÓFICA e até, como dizem alguns, Maçonaria é Filosofia.

Caso contrario, o conceito se torna vago,vazio, se dilui e arrasta determinadas mentes ao perigoso DESVIO que se registra na História da Maçonaria, na interpretação errônea do art 1 das referidas Const., desencadeando o processo regressivo descendente seguinte: Do Cristianismo ao deísmo, do deísmo a neutralidade simpática, da neutralidade simpática, á neutralidade indiferente, da neutralidade indiferente, á neutralidade hostil, da neutralidade hostil ao laicismo, do laicismo ao ateísmo prático depois e expressamente declarado, o teórico, a apesar dessas mentes declararem que apenas queriam defender a LIBERDADE ABSOLUTA DE PENSAMENTO... 

Por isto não se esqueçam da distinção entre TEÍSMO e DEÍSMO. TEÍSMO é a doutrina da escola filosófica que admite a existência de Deus primeiro principio e fim ultimo de tudo o que existe. Um Deus pessoal. 

DEÍSMO é um sistema filosófico religioso ou espécie de religião natural que se opõe a religião revelada e mais especialmente ao Cristianismo. Não nega a existência de Deus, entretanto, Deus só pode ser alcançado por argumentos puramente racionais. Não há, pois revelação, e o Cristianismo se torna desnecessário. Também a intervenção de Deus no mundo, negando pois a sua Providência. Deus,então, se confunde com a natureza, como no Panteísmo, com o qual se identifica, ou exclui-se e separa-se dela, como no dualismo discrítico, acabando, por um ser um ente neutro sem conteúdo algum, acabando, enfim no ateísmo vazio...

A estagnação também pode vir a se tornar num ATEÍSMO PRÁTICO. E este perigo existe e é, me parece, mais freqüente do que se pensa. E isto por errônea ou deficiente interpretação do art 6 das Constituições Andersoneanas.Tanto isto é verdade que lembro citação que fiz durante a quarta aula, do autorizadíssimo Marius Lepage, que por sua vez, é lembrado pelo não menos autorizado Nicola Aslan, no seu grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, vol. IV, pág. 915, no verbete QUATUOR CORONATI LODGE. 

Nicola Aslan, depois de frisar muito bem toda a importância desta mais celebre Loja de Pesquisas históricas, fundada em 1884, com seus 3.000 membros de todas as partes do mundo(com sua êmula de igual nome da Alemanha, a Villard de Honnecourt de Paris, a academia maçônica de letras do Rio de Janeiro, etc) e de dizer que todos os trabalhos apresentados em Loja são lidos e discutidos, e , posteriormente, publicado, anualmente, nas famosas Atas ARS QUATUOR CORONATORUM(Trabalhos dos Quatro Coroados), que também registram as discussões, assim como biografias, criticas de livros, explêndida e abundantemente ilustradas, devem comportar, atualmente, mais de 80 volumes(isto em 1976),acrescenta a restrição seguinte, do referido e conhecido Venerável Marius Lepage, citado da sua obra “L”ORDE ET LES OBÉDIENCES. 

“Entretanto, os nossos irmãos ingleses não tiraram desta superabundante riqueza , todo o partido que normalmente se poderia esperar. Isto é devido, e darei exemplos, ao temperamento particular dos maçons ingleses, para quem todas as discussões relativas a assuntos políticos e religiosos são estritamente proibidas em Loja. Veremos mais adiante que uma discussão sobre o aspecto religioso do pensamento de Anderson não pode ser levada a fundo, por causa dessa proibição.”

Esta grave advertência de Lepage nos deve obrigar a séria meditação porque, segundo minha pessoal observação, é, também, salvo melhor juiz, o ponto fraco de determinadas correntes maçônicas e de certos maçons brasileiros. E isto pode arrastar-se a uma verdadeira estagnação, contrariando, por conseguinte frontalmente, uma das diretrizes das Const. Que determina A INVESTIGAÇÃO CONSTANTE DA VERDADE. Prova-o inquérito feito em 1973 pela CNBB, ao qual responderam 182 maçons. Pode não se decisivo, já que para ser decisivo dever-se-ia inquirir todos os maçons brasileiros, mas já é um resultado provisório apreciável, que nos deve levar a meditação. Porque, dos 182, 81 responderam que a Maçonaria em nada influi em sua religião quando em nosso parecer, deveria ter influenciado, e influenciado para melhor.

Ora,meus caros ex alunos, como disse então, e repito agora, para esta afirmação também registrada: se devemos INVESTIGAR a verdade sob todos os ângulos e em todos os seus aspectos e em todos os terrenos – no histórico, como estão fazendo superabundantemente os maçons, no geográfico, no das ciências positivas, no da sociologia, economia, na Política, com P maiúsculo, excluindo, por conseguinte a partidária, no filosófico, etc. Sobretudo no que toca mais profundamente o homem, no religioso. 
Porque, quer queiramos, que não queiramos, todo homem é um filósofo, como todo homem é um teólogo. Por quê, mais cedo ou mais tarde todo ser humano, racional, acaba se perguntando:

QUEM SOU? DONDE VIM? ONDE VOU? 

E quer, evidentemente, respostas claras a estas três perguntas fundamentais. E tal esta necessidade que, se não atender a este reclamo de sua natureza profunda, acaba em desconcerto mental. Poderia agora, entrar psicanálize e psiquiatria a dentro, mas basta, por ora, uma citação, a que fiz em aula e registro também aqui: é de um discípulo de Freud, embora nem sempre concorde com o Mestre, Dr C.G.Jung, grande psiquiatra: 
“Durante os últimos trinta anos, pessoas de todos os paises civilizados têm vindo consultar-me. Tenho tratado muitos milhares de pacientes... Entre todos os meus pacientes na segunda metade da vida, isto é, com mais de trinta e cindo anos, nem um só tem havido cujo problema como ultimo recurso não fosse o de encontrar uma perspectiva religiosa da vida. Pode-se afirmar com segurança, que cada um deles caiu doente porque havia perdido aquilo que as religiões vivas de todos os tempos têm dado a seus seguidores, e nenhum deles ficou curado senão quando recuperou a sua fé religiosa”. (C.f. “Modern Man in Search of a Soul” pg. 264, cit, por Fulton J. Sheen, em “Pace of Soul”, trad. Por de Oscar Mendes sob o tit. “Angustia e Paz”, Ed. Agir, 1950, 281 pgs. Pg 55) 

Discutimos, um pouco, a conveniência ou não de tratar do assunto em Loja. Infringiria o art. 6 de Anderson?

Seja como for, não poucos têm levado à sua privada o espírito desta proibição, o que é um grave erro, que conduz à estagnação, como já vimos. Porque como já disse, contaria nossas aspirações mais profundas, já que todo homem é um animal religioso, como é um animal filosófico. Ele tem necessidade de Deus: entreter-se com Deus, como conclui uma das ciências positivas mais novas, a FENOMENOLOGIA RELIGIOSA, é uma atividade conatural ao homem Afirma ela que não há RELIGIÃO sem experiência religiosa, isto é, sem que o homem tenha experimentado, pessoalmente, com maior ou menor intensidade, a realidade de um poder superior ou de forças superiores que fundam e mantêm a existência do mundo e do próprio homem”.

E conclui: 

“Quando, pois, cientistas e filósofos afirmam, que a experiência religiosa é uma”ilusão”, deve-se pensar que algo não corre bem com eles: o estão de tal forma intoxicados pelo seu cientismo e racionalismo, que já não conseguem perceber “as coisas do espírito”, ou sofrem de algum “complexo anti-religioso”, que lhes bloqueia a capacidade de perceber o que há de profundo e grandioso na experiência religiosa”.

Rodrigo Veronezi Garcia é Blogueiro e estuda sobre Mitologia, Religião, História, Arqueologia, Ciências Ocultas, Sociedades Secretas, Segredos Militares, Geo Politica, Parapsicologia, Ufologia.
Rodrigo Veronezi Garcia Rodrigo Veronezi Garcia

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